domingo, 17 de dezembro de 2017

MAX CARDOSO

MAX CARDOSO
Arquivo Nirez


Em nossas pesquisas, conhecemos um cantor e compositor de São Paulo cuja voz era muito bonita e agradável, MAX CARDOSO. Infelizmente, temos poucas informações sobre sua pessoa, mas é importante que o relembremos, bem como seu repertório.

Reproduzo algumas críticas e citações sobre suas músicas e interpretação, com a grafia e pontuações originais.


Correio da Manhã, 20 de julho de 1930.
http://memoria.bn.br


Revista Phono-Arte, nº45 de 30 de julho de 1930: “Max Cardoso – Lindomar Torres – Orchestra Victor Paulista. – Estes dous artistas, elle portador de voz volumosa e timbre agradavel, ella possuidora de voz bem formada, juntam-se na primeira face do disco n. 33.296, para cantarem, com perfeito acompanhamentos pela Orchestra Victor Paulista, uma canção do proprio Max Cardoso, intitulada Viola Gaucha, que deixa transparecer aquella monotonia e falta de colorido, que por vezes caracterisam certas canções sulistas. – No complemento, Max Cardoso, canta em perfeita forma e de maneira attrahente, outra canção de sua autoria, A tapera, sendo acompanhado com justeza pela Orchestra Victor Paulista”. Esse disco fez parte dos primeiros gravados na Victor de São Paulo, em 1930.

 
Revista Phono-Arte, 30 de julho de 1930.
Arquivo Nirez


Revista Phono-Arte, 30 de julho de 1930.
Arquivo Nirez


O suplemento da Phono-Arte nº46, de 30 de agosto de 1930, apresentava duas gravações de Max Cardoso: "Max Cardoso - A conhecida melodia franceza 'Bebé d´amour', de F. Salabert, que os americanos já transformaram num fox-trot que registrou enorme exito no mundo dos discos entre nós, foi ainda adaptado em forma de canção por Max Cardoso, sob o titulo de O meu rouxinol e cantado por elle mesmo na primeira face do disco numero 33.294. Max Cardoso é talvez o elemento de maior destaque entre as realisações da Victor em S. Paulo, tendo sido já fartamente apreciado no primeiro supplemento da fabrica gravado na capital visinha. A sua voz é bonita, volumosa e bem timbrada, e é elle ainda que no complemento da chapa nos faz ouvir Eu e você, bôa canção de Sivan com letra de Castello Netto. - Os acompanhamentos estão confiados á excellente Orch. Victor Paulista". Interessante notar que havia um compositor nos anos 30 chamado Sivan Castelo Neto. Seria, pois o mesmo que, dividindo seu nome entre letra e música, confundiu a revista?


Revista Phono-Arte, 30 de agosto de 1930.
Arquivo Nirez.


Phono-Arte, 30 de dezembro de 1930.
Arquivo Nirez.


A revista O Cruzeiro, de 29 de novembro de 1930, fazia a crítica: “São muito interessantes as duas canções que encontram em Max Cardoso um bom interprete, apezar de pequena deficiencia na articulação, o que nos obriga a muito esforço para compreender tudo o que diz”. Porém, em 13 de dezembro de 1930, apresentava seus discos afirmando que: “Max Cardoso é um dos artistas nacionais que escutamos sempre com prazer pela intelligencia da interpretação sem exaggeros e pelo timbre sympathico de sua voz”.


Max Cardoso
"É um dos mais typicos interpretes de canções e modinhas que a Victor possue no seu elenco nacional. - Max Cardoso possue voz adequada ao genero que vem interpretando com geral agrado atravez as chapas Victor. Alem do mais, o artista possue em suas traduções aquelle sentimentalismo lyrico tão caracteristico ás nossas modinhas e canções, sobretudo as de caracter sulista ou gaúcho, nas quaes parece se especialisar".
Phono-Arte, 30 de dezembro de 1930.
Arquivo Nirez.





O MEU ROUXINOL
Canção
De Francis Salabert, adaptação de Max Cardoso
Gravada por Max Cardoso
Acompanhamento de Orquestra e Coro por Lindomar e Helena
Disco Victor 33.294-A, matriz 50257-1
Gravado em 17 de maio de 1930 e lançado em agosto



EU E VOCÊ
Canção de Sivan Castelo Neto
Gravada por Max Cardoso
Acompanhamento de Orquestra
Disco Victor 33.294-B, matriz 50382-2
Gravado em 09 de outubro de 1930 e lançado em agosto



VIOLA GAÚCHA
Canção de Max Cardoso
Gravada por Max Cardoso e Lindomar Torres
Acompanhamento da Orquestra Victor Paulista
Disco 33.296-A, matriz 50.274-1
Gravado em 23 de maio de 1930 e lançado em julho



A TAPERA
Canção de Max Cardoso
Gravada pelo autor
Acompanhamento da Orquestra Victor Paulista
Disco Victor 33.296-B, matriz 50275-1
Gravado em 23 de maio de 1930 e lançado em julho



MADRUGADA NA ROÇA
Canção de Rossi, Lima e Silva Nonê
Gravada por Max Cardoso
Acompanhamento da Orquestra Victor Paulista
Disco Victor 33.311-B, matriz 50296-2
Gravado em 02 de junho de 1930 e lançado em setembro



O GUASCA
Canção do Sul de Zeca Ivo
Gravada por Max Cardoso
Acompanhamento de violões e acordeon
Disco Victor 33.389-A, matriz 50478-1
Gravado em 04 de setembro de 1930 e lançado em novembro



À NOITE NUM RANCHINHO
Canção do Sul de M. Tupan e Max Cardoso
Acompanhamento de piano, violão e acordeon
Disco Victor 33.389-B, matriz 65006-2
Gravado em 04 de outubro de 1930 e lançado em novembro








Agradecimento ao Arquivo Nirez












sábado, 16 de dezembro de 2017

VALDEMAR DE ABREU (DUNGA) - 110 ANOS

http://memoria.bn.br



Há 110 anos nascia o compositor VALDEMAR DE ABREU (DUNGA).

Valdemar de Abreu nasceu no Rio de Janeiro em 16 de dezembro de 1907, falecendo nessa mesma cidade em 05 de outubro de 1991.

Em 1932, teve sua marcha Nossa Bandeira, composta para o bloco Quem fala de nós tem paixão, vencedora de um concurso de carnaval feito pelo Jornal do Brasil. Sua primeira composição gravada seria o samba Amar pra quê?, em 1934, gravado na Columbia por Sílvio Pinto. Já o seu primeiro sucesso viria em 1935 com Chora Cavaquinho, samba gravado por Orlando Silva (em início de carreira) na Victor. Teve suas músicas gravadas por Dircinha Batista, Linda Batista, Odete Amaral, Ciro Monteiro, Roberto Paiva, Aracy de Almeida, entre outros.

É autor do famoso samba canção Conceição, de 1956, em parceria com Jair Amorim, imortalizado na voz de Cauby Peixoto.

Recebeu o apelido Dunga aos sete anos de idade, de sua professora, que o considerava o mais querido da turma. Foi jogador de futebol em Petrópolis e trabalhou na Leopoldina Railways, como conferente, jogando nos times de futebol e basquete da empresa, sendo campeão várias vezes da Liga bancária. Casou-se, em 1935, com Zaíra Moreira, tendo dois filhos.

Em 1940, entrou para a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT), como cobrador junto aos teatros. Nesse mesmo ano também entrou para a União Brasileira de Compositores (UBC), onde ficou por muitos anos. Assumiu a vice-presidência da Associação Defensora de Direitos Artísticos e Fonomecânicos (ADDAF), a partir de 1960, sem abandonar a atividade musical, a qual se dedicou até sua morte.


CHORA CAVAQUINHO
Samba
Gravado por Orlando Silva
Acompanhamento do Conjunto Regional RCA Victor
Disco Victor 33.998-B, matriz 80011-1
Gravado em 27 de agosto de 1935 e lançado em dezembro



FOI VOCÊ
Samba
Gravado por Orlando Silva
Acompanhamento do Conjunto Regional RCA Victor
Disco Victor 34.100-A, matriz 80221-1
Gravado em 17 de setembro de 1936 e lançado em outubro



DIZEM POR AÍ
Samba
Gravado por Aracy de Almeida
Acompanhamento do Conjunto Regional RCA Victor
Disco Victor 34.321-B, matriz 80761-1
Gravado em 20 de abril de 1938 e lançado em junho



EU SINTO VONTADE DE CHORAR
Samba Canção
Gravado por Orlando Silva
Acompanhamento da Orquestra Carioca Swingtette, sob a direção de Radamés
Disco Victor 34.354-B, matriz 80826-1
Gravado em 13 de junho de 1938 e lançado em setembro



JUSTIÇA
Samba Canção
Gravado por Dircinha Batista
Acompanhamento do Grupo da Odeon
Disco Odeon 11.629-B, matriz 5871
Gravado em 20 de junho de 1938 e lançado em agosto



FOI UM FALSO AMOR
Samba
Gravado por Roberto Paiva
Acompanhamento do Grupo da Odeon
Disco Odeon 11.698-A, matriz 5994
Gravado em 16 de dezembro de 1938 e lançado em fevereiro de 1939



ANTES TARDE DO QUE NUNCA
Samba
Gravado por Odete Amaral
Acompanhamento de Regional
Disco Victor 34.537-B, matriz 33187-1
Gravado em 12 de outubro de 1939 e lançado em dezembro



QUEM GOSTAR DE MIM
Samba
Gravado por Ciro Monteiro
Acompanhamento de Regional
Disco Victor 33.646-B, matriz 33461-1
Gravado em 08 de julho de 1940 e lançado em setembro



QUE BOM
Batucada
Gravada por Linda Batista
Acompanhamento de Regional
Disco Victor 34.828-A, matriz S-052359
Gravado em 16 de setembro de 1941 e lançado em novembro



QUE É ISSO ISABEL
Samba
Gravado por Ciro Monteiro
Acompanhamento de Regional
Disco Victor 34.950-B, matriz S-052544
Gravado em 03 de junho de 1942 e lançado em agosto



CASINHA DE BAMBUÊ
Marcha
Gravada por Dircinha Batista
Acompanhamento de Fon Fon e Sua orquestra
Disco Odeon 12.238-A, matriz 7132
Gravado em 06 de novembro de 1942 e lançado em dezembro








Agradecimento ao Arquivo Nirez














sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

LUNDU DA MARREQUINHA - DE PAULA BRITO, SÉCULO XIX

PAULA BRITO
omenelicksegundoato.blogspot.com.br



Há 156 anos falecia o poeta PAULA BRITO.

Francisco de Paula Brito nasceu no Rio de Janeiro em 02 de dezembro de 1809, na então Rua do Piolho (hoje Rua da Carioca), no Centro da cidade; falecendo nessa mesma cidade, em 15 de dezembro de 1861, em sua residência, no Campo de Sant´Anna, nº25. Seu cortejo fúnebre foi um dos mais concorridos da Corte, pois era um homem muito popular entre os intelectuais, músicos e artistas. Está sepultado no Cemitério de São Francisco Xavier.

Era também letrista, livreiro, tipógrafo e jornalista.

Era filho do carpinteiro Jacinto Antunes Duarte e de Maria Joaquina da Conceição Brito. Chegou a ser aprendiz de tipógrafo na Tipografia Nacional, depois se empregando no Jornal do Commercio, onde foi diretor das prensas, redator, tradutor e contista. Em 1830, casou-se com Rufina Rodrigues da Costa. No ano seguinte, abriu um estabelecimento tipográfico em loja de papel, cera e chá, no Largo do Rossio (atual Praça Tiradentes). Seu estabelecimento, além de editar livros, era o ponto de encontro dos intelectuais e músicos modinheiros da época.

Ele sugeriu que os integrantes dessas reuniões criassem uma sociedade (com estatuto e tudo), a Sociedade Petalógica do Rossio Grande, uma entidade em que o humor e poesia reinavam, com muita música.

Paula Brito foi autor da letra do famoso Lundu da Marrequinha, que recebeu a melodia do autor do Hino Nacional Brasileiro, o compositor Francisco Manuel da Silva. Foi um lundu muito tocado em sua época, sendo conhecido e interpretado até os dias de hoje. Compondo outras músicas, como o lundu Ponto Final, com música de José Joaquim Goiano, Paula Brito era anfitrião de memoráveis encontros entre músicos e poetas letrados, tendo contribuído com a propagação dos primeiros gêneros musicais brasileiros, a modinha e o lundu.


Trago o Lundu da Marrequinha com sua letra e em várias interpretações.
Obs. A letra aqui apresentada foi tirada do livro O Trovador, volume 01, de 1876. Nele, há uma diferença nos versos em relação à gravações feitas no final do século XX.

Obs2. Segundo o canal do YouTube, A Música do Brasil, Marrequinha seria  um tipo de laço dado no vestido das moças, no séc. XIX, usado atrás das nádegas", possivelmente sobre a anquinha (acessório que dava volume aos quadris).




O TROVADOR, 1876.
archive.org


O TROVADOR, 1876.
archive.org




Lundu da Marrequinha, pelo grupo Lira d´Orfeo.




Lundu da Marrequinha, por Anna Maria Kieffer.





Lundu da Marrequinha, por Luiza Sawaia e Acchille Picchi.





















quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

HOMERO DORNELAS - 116 ANOS

HOMERO DORNELAS
cifrantiga3.blogspot.com.br



Há 116 anos nascia o compositor, pianista, violoncelista e professor HOMERO DORNELAS.

Homero Dornelas nasceu no Rio de Janeiro em 14 de dezembro de 1901, falecendo nessa mesma cidade em 28 de dezembro de 1990. Era filho do maestro Sofonias Dornelas e, dos sete aos quatorze anos, estudou piano e teoria musical com o pai e uma tia. Aos quinze anos de idade, ingressou no Instituto Nacional de Música, estudando teoria, solfejo e física acústica com Frederico Nascimento. No início da década de 1920, resolveu deixar o estudo de piano para se dedicar ao violoncelo, sendo orientado por Eurico Costa. Foi ainda professor de canto orfeônico e teoria musical do Colégio Pedro II até 1972. Entre seus pseudônimos estavam, Candoca da Anunciação, Romeoh Sallendor, Sallendor Filho e My Self.

Na década de 1920 tocava nas ate-salas de cinemas, acompanhando filmes mudos, em teatros, restaurantes e circos. Começou a compor sambas em 1926, compondo também marchinhas e foxes. Também trabalhou como revisor e arranjador da Casa Vieira Machado, editora de partituras de músicas carnavalescas. Por essa época, adotou o pseudônimo de Candoca da Anunciação, com o qual se consagrou pelo lançamento do samba Na Pavuna, de 1930, ao lado de Almirante, que o gravou. A gravação do samba trazia o ineditismo de um grupo de ritmistas fazendo uma batucada.

Outra história curiosa o liga ao samba de Noel Rosa, Com Que Roupa?. No fim de 1929, Noel o procurou para escrever a partitura do samba. Homero notou que, ao tocar as notas iniciais, os compassos eram o mesmo do Hino Nacional, sugerindo a mudança de algumas notas, no que foi atendido. Dessa forma, ele foi o responsável pela forma final do famoso samba de Noel Rosa.

Teve algumas de suas composições gravadas por Jesy Barbosa, Jorge Fernandes, Jayme Vogeler , Sylvio Salema e Augusto Calheiros. Em meados da década de 1930, convidado por Villa-Lobos, integrou o SEMA (Superintendência de Ensino Musical e Artístico), ficando até 1959.


Através de concurso, entrou para a Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, onde pediu licença em 1941, para ingressar na Sinfônica Brasileira, convidado por Eugen Szenkar. Nesse ano ainda foi contratado pela Rádio Nacional, onde trabalhou até meados da década de 1960. Publicou o catálogo Orquestras de desfile, que dá a relação de todos os músicos que integraram diversos conjuntos atuantes no Rio de Janeiro de 1894 a 1974. Na década de 1960, gravou um histórico depoimento para o Museu da Imagem e do Som (MIS).

Trazemos algumas composições de sua autoria.



NA PAVUNA
Choro de Rua no Carnaval
Em parceria com Almirante
Gravado por Almirante
Acompanhamento do Bando de Tangarás
Disco Parlophon 13.089-A, matriz 3179



MINHA DEVOÇÃO
Samba
Gravado por Elpídio L. Dias (Bilu)
Acompanhamento da Orquestra Brunswick
Disco Brunswick 10.035-A, matriz 254
Lançado em março de 1930



TOCA A BUZINA
Marcha
Gravada por Augusto Calheiros
Acompanhamento de Simão Nacional Orquestra
Disco Parlophon 13.130-A, matriz 3385
Gravado em 1930 e lançado em abril



VIOLA
Canção
Gravada por Jorge Fernandes
Acompanhamento do Grupo dos Marajoaras
Disco Odeon 10.701-A, matriz 3902
Lançado em novembro de 1930



BATUQUE NO SALGUEIRO
Batuque
Gravado por Jorge Fernandes
Acompanhamento do Grupo dos Marajoaras
Disco Odeon 10.701-B, matriz 3903
Lançado em novembro de 1930



HINO AO CARDEAL D. LEME
Hino
Em parceria com Lieda Cristina
Gravado por Sílvio Salema
Acompanhamento de Conjunto Sacro
Disco Parlophon 13.305-B, matriz 131136
Lançado em 1931



MADUREIRA
Samba da Central
Gravado por Almirante e o Bando de Tangarás
Acompanhamento da Orquestra Guanabara
Disco Parlophon 13.274-A, matriz T-57 131056
Lançado em janeiro de 1931



POR CONTA DO AMOR
Marcha
Gravada por Jayme Vogeler e Jota Soares
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 10.877-A, matriz 4372
Gravado em 26 de novembro de 1931 e lançado em 1932



ILUSÃO DE AMOR
Tango Canção
Em parceria com Bastos Carvalho
Gravado por Jesy Barbosa
Acompanhamento da Orquestra Victor Brasileira, sob a direção de João Martins
Disco Victor 33.707-A, matriz 65453-2
Gravado em 13 de abril de 1932 e lançado em outubro de 1933







Agradecimento ao Arquivo Nirez





Fontes:
dicionariompb.com.br
cifrantiga3.blogspot.com.br













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