quarta-feira, 23 de maio de 2018

SÍLVIO CALDAS - 110 ANOS


SÍLVIO CALDAS
Arquivo Nirez


Há 110 anos nascia o cantor e compositor SÍLVIO CALDAS.

Ele nasceu no Rio de Janeiro em 23 de maio de 1908, com o nome de Sylvio Antônio Narciso de Figueiredo Caldas. Depois, já famoso, mudaria seu nome em cartório para Sílvio Caldas.


Cantando desde criança, aos cinco anos ele desfilava no carnaval, carregado nos ombros dos remadores do Clube de Regata São Cristóvão (bairro onde morava), no bloco Família Ideal. 
Com essa mesma idade, fez uma apresentação no Theatro Phoenix. Aos nove anos, era aprendiz em uma oficina mecânica.

Começou a cantar profissionalmente em 1927, quando o cantor Milonguita (Antônio Gomes) o levou para a rádio Mayrink Veiga; local em que conheceu e fez amizade com o pianista Bequinho e os compositores Uriel Lourival e Cândido das Neves.

Em 1929, já cantava na Rádio Sociedade.

Em 28 de janeiro de 1930, gravou sua primeira música. Cantando com Breno Ferreira, os dois gravaram o desafio Tracuá Me Ferrô, de Sátiro de Melo, na Victor.
Em 19 de fevereiro desse mesmo ano, ele gravou sua primeira música cantando sozinho: Amoroso, samba de sua autoria e Quincas Freire, no dia 19 de fevereiro de 1930.

Mesmo gravando na Victor, em agosto de 1930 a Brunswick lançou vários discos seus. O primeiro trazia duas composições de Sinhô, que faleceria no dia 04 desse mesmo mês e ano: Recordar é Viver, canção, e Amor de Poeta, samba canção.

Também atuou no teatro de revista, tendo contracenado com Aracy Côrtes. 

Era uma das estrelas do Programa Casé. 

Em 1937 participou do filme de Luís de Barros, Carioca Maravilhosa.

 Sylvio era irmão da cantora Glorinha Caldas, falecida prematuramente em 1937, com 27 anos.
Também era irmão do cantor Murilo Caldas.

Em 1938, Sílvio Caldas esteve em Fortaleza, capital cearense, para o deleite de seus fãs locais.

Quem vinha pelo ar, geralmente chegava em um hidro-avião, cujo destino final era o Aeroporto Côndor, que ficava na Barra do Ceará.

Era conhecido por Caboclinho Querido.

Seu repertório era dos melhores, gravando canções, sambas, marchas, sucessos de carnaval, fazendo duetos com Carmen Miranda, Luís Barbosa ou Francisco Alves, Sílvio Caldas teve uma longa carreira, sendo admirado e influenciando várias gerações.
Como compositor, deixou vários clássicos como: Flor de Lótus (com Alberto Ribeiro), Arrependimento (com Cristóvão de Alencar), Torturante Ironia, Quase que eu disse, Serenata e Chão de Estrelas, essas últimas em parceria com Orestes Barbosa.

Mesmo idoso, fazia shows. Sempre apresentava uma temporada de despedida, mas, felizmente voltava com outras temporadas, em despedidas que duravam anos e muitas boas apresentações.

Em 1991 perdi a oportunidade de vê-lo, aos 83 anos, cantando e dançando no Theatro José de Alencar. Mas, eu estava com sarampo... Impossível poder comparecer. 

Sílvio Caldas faleceu em 03 de fevereiro de 1998, em Atibaia, SP, (onde morou suas últimas décadas), pouco antes de completar 90 anos. 


SÍLVIO CALDAS
Arquivo Nirez



Trago algumas músicas gravadas por ele (algumas de sua autoria) na Victor e na Odeon, no período de 1930 a 1940, com um repertório de sambas e marchas e outro mais romântico, com valsas e canções.



Sílvio Caldas – Seus sambas e marchas


ALÔ MEU BEM
Samba de Carlos Medina
Gravado por Sílvio Caldas
Acompanhamento da Orquestra Victor Brasileira
Disco Victor 33.272-A, matriz 50178-2
Gravado em 19 de fevereiro de 1930 e lançado em abril



FACEIRA
Samba de Ary Barroso
Gravado por Sílvio Caldas
Acompanhamento de Orquestra
Disco Victor 33.446-A, matriz 65158-1
Gravado em 09 de junho de 1931 e lançado em julho



MÃO NO REMO
Samba de Ary Barroso e Noel Rosa
Gravado por Sílvio Caldas
Acompanhamento de Orquestra, sob a direção de Rondon
Disco Victor 33.479-A, matriz 65247-2
Gravado em 07 de outubro de 1931 e lançado em novembro



LINDA LOURINHA
Marcha de João de Barro
Gravada por Sílvio Caldas
Acompanhamento dos Diabos do Céu, sob a direção de Pixinguinha
Disco Victor 33.735-A, matriz 65889-1
Gravado em 16 de novembro de 1933 e lançado em janeiro de 1934



CORAÇÃO INGRATO
Marcha de Antônio Nássara e Eratóstenes Frazão
Gravada por Sílvio Caldas
Acompanhamento da orquestra Odeon
Disco Odeon 11.178-A, matriz 4946
Gravado em 14 de novembro de 1934 e lançado em dezembro



MINHA PALHOÇA
Samba de J. Cascata
Gravado por Sílvio Caldas
Acompanhamento do Choro Odeon
Disco Odeon 11.271-A, matriz 5117
Gravado em 09 de agosto de 1935 e lançado em outubro



ACORDA ESCOLA DE SAMBA
Samba de Benedito Lacerda e Herivelto Martins
Gravado por Sílvio Caldas
Acompanhamento da Orquestra Odeon
Disco Odeon 11.427-A, matriz 5460
Gravado em 21 de novembro de 1936 e lançado em janeiro de 1937



SABIÁ
Samba Canção de J. L. Calazans (Jararaca) e Vicente Paiva
Gravado por Sílvio Caldas
Acompanhamento de Benedito Lacerda e Seu Conjunto Regional
Disco Odeon 11.467-A, matriz 5543
Gravado em 18 de março de 1937 e lançado em maio



PASTORINHAS
Marcha de João de Barro e Noel Rosa
Gravada por Sílvio Caldas
Acompanhamento de Napoleão e Seus Soldados Musicais
Disco Odeon 11.567-A, matriz 5733
Gravado em 13 de dezembro de 1937 e lançado em janeiro de 1938



MORENA BOCA DE OURO
Samba de Ary Barroso
Gravado por Sílvio Caldas
Acompanhamento de Regional
Disco Victor 34.793-A, matriz S-052259
Gravado em 04 de julho de 1941 e lançado em setembro



Sílvio Caldas – Seresteiro

MIMI
Valsa Canção de Uriel Lourival
Gravada por Sílvio Caldas
Acompanhamento de Pereira Filho, Tuti e Luperce Miranda aos violões e cavaquinho
Disco Victor 33.727-A, matriz 65883-1
Gravado em 13 de novembro de 1933 e lançado em dezembro



SERENATA
Valsa Canção de Sílvio Caldas e Orestes Barbosa
Gravada por Sílvio Caldas
Acompanhamento de dois violões e bandolim
Disco Victor 33.911-A, matriz 79729-1
Gravado em 12 de outubro de 1934 e lançado em março de 1935



TORTURANTE IRNONIA
Valsa de Sílvio Caldas e Orestes Barbosa
Gravada por Sílvio Caldas
Acompanhamento de Benedito Lacerda e Seu Conjunto
Disco Odeon 11.241-B, matriz 5071
Gravado em 15 de junho de 1935 e lançado em julho



BONECA
Valsa de Benedito Lacerda e Aldo Cabral
Gravada por Sílvio Caldas
Acompanhamento de Benedito Lacerda e Seu Conjunto
Disco Odeon 11.251-B, matriz 5072
Gravado em 15 de junho de 1935 e lançado em agosto



QUASE QUE EU DISSE
Valsa de Sílvio Caldas e Orestes Barbosa
Gravada por Sílvio Caldas
Acompanhamento de Benedito Lacerda e Seu Conjunto
Disco Odeon 11.271-B, matriz 5073
Gravado em 15 de junho de 1935 e lançado em outubro



ISIS
Valsa de Benedito Lacerda e Jorge Faraj
Gravada por Sílvio Caldas
Acompanhamento de Benedito Lacerda e Seu Conjunto Regional
Disco Odeon 11.331-A, matriz 5130
Gravado em 29 de agosto de 1935 e lançado em abril de 1936



HÁ UM SEGREDO EM TEUS CABELOS
Valsa de Gastão Lamounier e Osvaldo Santiago
Gravada por Sílvio Caldas
Acompanhamento da Orquestra Odeon
Disco Odeon 11.283-A, matriz 5155
Gravado em 14 de setembro de 1935 e lançado em novembro



CHÃO DE ESTRELAS
Valsa Canção de Sílvio Caldas e Orestes Barbosa
Gravada por Sílvio Caldas
Acompanhamento de Benedito Lacerda e Seu Conjunto Regional
Disco Odeon 11.475-B, matriz 5546
Gravado em 18 de março de 1937 e lançado em junho



SORRIS DE MINHA DOR
Valsa de Paulo Medeiros
Gravada por Sílvio Caldas
Acompanhamento da Orquestra Victor Brasileira
Disco Victor 34.367-B, matriz 80872-1
Gravado em 18 de agosto de 1938 e lançado em outubro



DEUSA DA MINHA RUA
Valsa de Jorge Faraj e Nilton de Oliveira
Gravada por Sílvio Caldas
Acompanhamento de Regional
Disco Victor 34.485-A, matriz 33118-1
Gravado em 10 de julho de 1939 e lançado em setembro



VELHO REALEJO
Valsa de Custodio Mesquita e Sadi Cabral
Gravada por Sílvio Caldas
Acompanhamento de Orquestra
Disco Victor 34.583-B, matriz 33316-1
Gravado em 24 de janeiro de 1940 e lançado em março









Agradecimento à Thais Matarazzo e ao Arquivo Nirez














segunda-feira, 21 de maio de 2018

RAIMUNDO RAMOS (RAMOS COTOCO) - 147 ANOS


RAIMUNDO RAMOS (Ramos Cotoco)
www.fortalezaemfotos.com.br




Há 147 anos nascia o poeta, compositor, cantor e pintor RAIMUNDO RAMOS (Ramos Cotoco).

Raimundo Ramos de Paula Filho nasceu em Fortaleza (CE) a 21 de maio de 1871, vindo a falecer também em Fortaleza (CE) em 20 de outubro de 1916.

Seu apelido Ramos Cotoco se devia por ter nascido com um defeito físico no braço.

Era um homem excêntrico e foi um dos boêmios mais populares de Fortaleza.

Em 1906, publicou o livro Cantares Boêmios, com poemas e canções. Em sua carreira, compôs lundus, chulas, valsas e cançonetas chistosas, algumas gravadas por Mário Pinheiro na Casa Edison do Rio de Janeiro.

Vários de seus poemas foram musicados por nomes que, até hoje, permanecem desconhecidos.

Tive a oportunidade de ver um de seus quadros sendo restaurados na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, aqui em Fortaleza.



Trago as gravações que Mário Pinheiro fez na Casa Edison das músicas de Ramos Cotoco em 1908.



O DIABO DA FEIA
Cançoneta de Raimundo Ramos
Gravada por Mário Pinheiro
Acompanhamento de coro e violão
Disco Odeon Record 108.129, matriz XR-662
Lançado em 1908
Escrita em 1898



PELA PORTA DE DETRÁS
Cançoneta Alegre de Raimundo Ramos
Gravada por Mário Pinheiro
Disco Odeon Record 108.130, matriz XR-663
Lançado em 1908
Escrita em 1895




A SOGRA E O GENRO
Lundu de Raimundo Ramos
Gravado por Mário Pinheiro
Acompanhamento de piano
Disco Odeon Record 108.131, matriz (52W) XR-664
Lançado em 1908




SÓ ANGU
Cançoneta de Raimundo Ramos
Gravada por Mário Pinheiro
Acompanhamento de piano e ganzá
Disco Odeon Record 108.132, matriz XR-665
Lançado em 1908




NÃO FAZ MAL
Cançoneta de Raimundo Ramos
Gravada por Mário Pinheiro
Acompanhamento de piano e ganzá
Disco Odeon Record 108.133, matriz XR-666
Lançado em 1908




A COZINHEIRA
Cançoneta de Raimundo Ramos
Gravada por Mário Pinheiro
Acompanhamento de piano e ganzá
Disco Odeon Record 108.134, matriz XR-667
Lançado em 1908




ROSA E EU
Cançoneta de Raimundo Ramos
Gravada por Mário Pinheiro
Disco Odeon Record 108.135, matriz XR-668
Lançado em 1908



A ENGOMADEIRA
Cançoneta de Raimundo Ramos
Gravada por Mário Pinheiro
Acompanhamento de coro
Disco Odeon Record 108.137, matriz XR-670
Lançado em 1908












Agradecimento ao Arquivo Nirez












quinta-feira, 17 de maio de 2018

ADEUS À ELOÍSA MAFALDA

ELOÍSA MAFALDA
https://www.trendsmap.com


Faleceu na quarta-feira, dia 16 de maio, a atriz ELOÍSA MAFALDA.

Lutando há alguns anos contra problemas respiratórios, a atriz faleceu em Petrópolis (RJ), cidade onde morava.


Mafalda Theotto nasceu em Jundiaí (SP), em 18 de setembro de 1924, sendo neta de italianos.

Excelente nadadora, aos 12 anos Mafalda quase participou dos Jogos Olímpicos de 1936. Só não foi à Alemanha porque seu pai não deixou.

Em 1940, com a separação de seus pais, seu irmão, Oliveira Neto, passou a ser locutor nas rádios Tupi e Difusora de São Paulo, para ajudar a mãe. A filha Mafalda começou a trabalhar como costureira, indo trabalhar depois como auxiliar de escritório nas Emissoras Associadas, conhecendo a alemã Alice Waldvoguel, que viria a lhe ensinar a arte da interpretação.

Oliveira Neto passou a morar no Rio de Janeiro, trabalhando para a Tupi-Tamoio, e convenceu sua irmã a fazer um teste para o rádio-teatro. Aprovada, ela escolheu o nome artístico de Eloísa Mafalda e passou a trabalhar em radionovelas da Rádio Nacional, indo em seguida para a TV Paulista, permanecendo nesta emissora até ela ser vendida à Rede Globo.

Ela atuaria algumas vezes no cinema, tendo feito seu primeiro filme em 1950, com o título de Somos Dois, onde interpretava uma secretária. Seu último filme seria Simão, o Fantasma Trapalhão, interpretando Lucélia.

Também teria algumas participações no teatro, estreando em 1965, na peça O Morro dos Ventos Uivantes.

Seria na Rede Globo que Eloísa Mafalda interpretaria seus maiores papéis, criando personagens inesquecíveis até hoje. Nesta emissora, iniciou seus trabalhos em 1965 na novela O Ébrio, baseada no filme homônimo de Gilda de Abreu, estrelado por seu esposo, o tenor Vicente Celestino, em 1946; na novela, Eloísa Mafalda vivia Heloísa. Em 1968, atuou no sucesso A Cabana do Pai Tomás, como Emily. Em Pigmalião 70, estrelada por Tônia Carrero em 1970, ela deu vida à Ester.

Em 1972, viveu o primeiro de seus personagens icônicos, Irene Silva, mais conhecida por Dona Nenê, na primeira versão da série A Grande Família. Depois, veio Maria Machadão, de Gabriela, em 1975, onde ela fez um excelente trabalho de composição de personagem. Ainda viveria Maria Aparecida, em Saramandaia (1976), Joana, em Locomotivas (1977), Zoraide, em Pecado Rasgado (1978); a secretária Irene Fragoso Neves, que vivia um belo amor em uma idade madura, em Água Viva (1980); Zeni, de Pumas e Paetês (1980); Edite Pereira, de Brilhante (1981); Dona Mariana Gomes, em Paraíso (1982); Adélia, em Champanhe (1983); Arminda Terra, na minissérie O Tempo e o Vento (1985); Gioconda, de Hipertensão (1986), Jandira, de Vida Nova (1988); Dona Damásia, de A, E, I, O... Urca (1990), entre muitos outros.

Seu maior sucesso e personagem mais lembrado é o de Dona Pombinha Abelha (Ambrosina Abelha), uma beata fervorosa, na novela Roque Santeiro, exibida em 1985. Ao lado de Ary Fontoura (Seu Flor Florindo Abelha) e Lucinha Lins (Mocinha), ela viveu cenas antológicas.

Eloísa Mafalda foi casada por três anos com Miguel Teixeira, tendo dois filhos: Marcos e Mírian. Ela deixou dois netos e dois bisnetos.

Trabalhando como coadjuvante, Eloísa Mafalda se sobressaia e parecia ser a atriz principal, devido ao seu talento e carisma. As novelas em que participou eram mais valorizadas por sua presença, sendo ela uma dessas atrizes que dá gosto ver em cena, que sabem cativar o público e prendê-lo com sua bela atuação.

Deixará muitas saudades!


Eloísa Mafalda
www.defatoonline.com.br


Como Dona Nenê, em om Jorge Dória (Lineu).
https://tvefamosos.uol.com.br


Como Maria Machadão em Gabriela, 1975.
https://www.correio24horas.com.br


Como Dona Pombinha em Roque Santeiro, 1985, entre Lucinha Lins (Mocinha) e Ary Fontoura (Florindo Abelha).
https://www.trendsmap.com






















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